segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Quando usar "x" ou "ch"

Antes, é importante lembrar que um mesmo fonema (som de uma língua) pode ser representado por mais de uma letra ou dígrafo, dependendo da etimologia e da composição da palavra, vejamos.
O fonema /ʃ/, aquele chiado fricativo, que encontramos nas palavras "ameixa" e "salsicha" pode ser representado pela letra "x" ou pelo dígrafo "ch". Dependendo, de como disse, da posição do fonema dentro da palavra ou da origem do termo.
No exemplo acima a palavra ameixa deve ser grafada com "x"(xis) pela observação que quase todas palavras que tem o fonema /ʃ/ depois de um ditongo como o ei da "ameixa" e de "eixo" são escritas com "x".
Já salsicha se escreve com "ch" por não se encaixar (olhe o ditongo na palavra pedindo pra se usar o x ) em nenhuma das situações, citadas abaixo (olhe de novo o ditongo antes de x na palavra "abaixo") que pedem o uso do "x".

Na verdade a palavra salsicha é de origem italiana e se escreve salsiccia.
Se fosse de origem indígena, africana ou inglesa já aportuguesada escreveríamos com "x" e não com "ch".
A justificativa para se usar "ch" em salsicha dá-se pelo argumento de que ocorreu um processo chamado de assimilação regressiva completa do "s" alveolar para "ch" de articulação palatal na palavra salsíxa, explicando melhor, isso quer dizer que salsicha era pronunciado mais com som do fonema /s/ de que com som do fonema /ʃ/, tanto que a palavra até meados do século XVII era ainda escrita com "x", assim, salsíxa e que só depois dessa mudança fonética é que se passou a ser grafada com "ch".
Também de origem italiana é tchau que, curiosamente, hoje em dia, na Itália significa "oi", mas em sua origem significava a expressão de cumprimento e cordialidade: "seu servidor, seu escravo" do latim schiavo quer dizer escravo. Vejam o "ch" desde a origem da palavra, justificativa etimológica para o uso "ch" e não do "x". Engraçado mesmo foi tchau ter virado, "até" ou, mais próximo o significado, bye.

Mas vamos às observações que podem nos ajudar no uso do "x" ou o "ch".
Dicas:
1)Se o fonema /ʃ/ vier após um ditongo, usa-se o "x". Exemplos, caixa, frouxo faixa, ameixa, peixe, eixo,, trouxa, paixão, encaixar e baixo. Exceção recauchutar.

2)Fonema /ʃ/ após o grupo en, também se usa "x", exemplos, enxugar, enxame, enxada, enxaqueca e enxurrada. Exceção encher, por causa de cheio.

3)Usa-se ainda x após o grupo sonoro me: mexer, mexicano, mexilhão e mexerico. Exceção Mecha.

4)O x também esta presente nas palavras de origem indígena ou africana e nas inglesas já aportuguesadas. Exemplos, xavante, abacaxi, xingar (africana), xerife e xampu.

Colegas, até a próxima.

domingo, 23 de novembro de 2008

O primeiro decreto da reforma ortográfica

DECRETO Nº 6.583, DE 29 DE SETEMBRO DE 2008.

Promulga o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e

Considerando que o Congresso Nacional aprovou, por meio do Decreto Legislativo no 54, de 18 de abril de 1995, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990;

Considerando que o Governo brasileiro depositou o instrumento de ratificação do referido Acordo junto ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Portuguesa, na qualidade de depositário do ato, em 24 de junho de 1996;

Considerando que o Acordo entrou em vigor internacional em 1o de janeiro de 2007, inclusive para o Brasil, no plano jurídico externo;

DECRETA:

Art. 1o O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, entre os Governos da República de Angola, da República Federativa do Brasil, da República de Cabo Verde, da República de Guiné-Bissau, da República de Moçambique, da República Portuguesa e da República Democrática de São Tomé e Príncipe, de 16 de dezembro de 1990, apenso por cópia ao presente Decreto, será executado e cumprido tão inteiramente como nele se contém.

Art. 2o O referido Acordo produzirá efeitos somente a partir de 1o de janeiro de 2009.

Parágrafo único. A implementação do Acordo obedecerá ao período de transição de 1o de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012, durante o qual coexistirão a norma ortográfica atualmente em vigor e a nova norma estabelecida.

Art. 3o São sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão do referido Acordo, assim como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do art. 49, inciso I, da Constituição, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional.

Art. 4o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 29 de setembro de 2008; 187o da Independência e 120o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Celso Luiz Nunes Amorim

ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA

Considerando que o projeto de texto de ortografia unificada de língua portuguesa aprovado em Lisboa, em 12 de outubro de 1990, pela Academia das Ciências de Lisboa, Academia Brasileira de Letras e delegações de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, com a adesão da delegação de observadores da Galiza, constitui um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional,

Considerando que o texto do acordo que ora se aprova resulta de um aprofundado debate nos Países signatários,

a República Popular de Angola,
a República Federativa do Brasil,
a República de Cabo Verde,
a República da Guiné-Bissau,
a República de Moçambique,
a República Portuguesa,
e a República Democrática de São Tomé e Príncipe,

acordam no seguinte:

Artigo 1o
É aprovado o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que consta como anexo I ao presente instrumento de aprovação, sob a designação de Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990) e vai acompanhado da respectiva nota explicativa, que consta como anexo II ao mesmo instrumento de aprovação, sob a designação de Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990).

Artigo 2o
Os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as providências necessárias com vista à elaboração, até 1 de janeiro de 1993, de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas.

Artigo 3o
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrará em vigor em 1o de janeiro de 1994, após depositados os instrumentos de ratificação de todos os Estados junto do Governo da República Portuguesa.

Artigo 4o
Os Estados signatários adotarão as medidas que entenderem adequadas ao efetivo respeito da data da entrada em vigor estabelecida no artigo 3o.

Em fé do que, os abaixo assinados, devidamente credenciados para o efeito, aprovam o presente acordo, redigido em língua portuguesa, em sete exemplares, todos igualmente autênticos.

Assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990.

Continue lendo o texto aqui (documento muito extenso para blogs)

Mais de 50 aulas de língua portuguesa, nível médio do TeleCurso 2000

Nesta Lista de reprodução ou, como defendo, nesta PlayLista há 58 aulas de português nível médio, antigo segundo grau, do bom programa de educação a distância TeleCurso 2000.

A influência das línguas africanas no português

A maior influência das línguas africanas no português, deu-se no léxico, isto é, no nosso vocabulário, a exemplo temos importantes palavras como bunda, samba, moleque, tanga, sunga, cachaça, axé (de étimo fon/iorubá), capanga, pombajira, macumba, caçula, babá, xingar, lengalenga, bambambã, fungar, xodó, agogô, batuque, banguela, berimbau, cachimbo e cacimba, jiló, marimbondo, maxixe e muamba, quenga, quilombo e zumbi.
O principal grupo linguístico, da África, que influenciou o português, principalmente o português do brasil, foi o banto que compreende a família linguística Níger-congo com as línguas quicongo (o quicongo é falado na República Popular do Congo), quimbundo ( o quimbundo é a língua da região central de Angola), umbundo ( umbundo é falado no sul de Angola e em Zâmbia) e outras, ainda, como o kwa, ewe-fon, iorubá.
Várias sociedades africanas que utilizavam determinadas palavras parecidas foram chamadas de bantu pelos europeus.
Bantu - significa um coletivo de seres humanos.
O grupo linguístico banto compreende cerca de 300 línguas muito semelhantes, faladas em 21 países: Camarões, Chade, República Centro-Africana, Guiné Equatorial, Gabão, Ango-la, Namíbia, República Popular do Congo (Congo-Brazzaville), República Democrática do Congo (RDC ou Congo-Kinshasa), Burundi, Ruanda, Uganda, Tanzânia, Quênia, Malavi.
A região banto era situada ao longo da extensão sul da linha do equador, e a região oeste-africana ou “sudanesa”, que abrange territórios que vão do Senegal à Nigéria.









Região Bantu
















Línguas estrangeiras hoje na África
















Mapa dos grandes grupos linguísticos da África

Fontes de consultas: Artigo da professora Yeda Pessoa de Castro na revista do Iphan
Dicionario Houaiss, versão 2.0 ; Dicionário Aurélio, versão 3.0
Enciclopédia Wikipédia

sábado, 15 de novembro de 2008

"Por" ou "Colocar" chifres?

Se a pessoa quer dizer que traiu alguém em um relacionamento, então ela deve dizer que "pôs chifres" em alguém, no sentido figurado, ou seja, que traiu essa pessoa. E não que "colocou" chifres nessa pessoa.
Pois se ele disser que colocou, estará dizendo que literalmente pegou algum chifre de verdade e colocou sobre esta pessoa.

Para traição use sempre: "por chifres", "eu pus chifre", "puseram-me chifres" e ainda "eu poria chifres também".
Porém, caso se queira dizer que colocou chifres em alguém, isto é, que não o traiu ninguém, ou seja, que apenas colocou, por exemplo, um par de chifres de um animal qualquer, na cabeça de alguém.
Nessa situação, pode-se dizer que "colocou chifres" em alguém, mas se possível ainda tente citar um "literalmente" junto para deixar bem claro que se trata de apenas uma brincadeira e não uma traição. Assim ensinam a semântica e os manuais de redação.

Resumindo e relembrando:
Colocar significa pôr em algum lugar e deve ser usado para coisas materiais como em "Colocou a comida no prato" e "Colocou a cerveja no copo".
Pôr se emprega nas locuções e frases feitas, no sentido figurado e na definição de coisas abstratas e do espírito: pôr em prática, pôr frente a frente, pôr o dedo na ferida, pôr em xeque, pôr em pratos limpos, pôr um ponto final, pôr fogo, pôr o assunto em dia, pôr a mesa, pôr os pensamentos em ordem, etc.





















Na figura vemos alguém que "literalmente" coloca os chifres na cabeça.
Em um sentido real e não figurado.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Quantas palavras tem a língua portuguesa?










O dicionário Houaiss traz 228.000 verbetes e 380 mil palavras no geral. O Aurélio, 435.000 verbetes e em torno de 500 mil palavras.
Os verbetes são as termos mais buscados no idioma. Porém há muitas outras palavras que estão no dicionário mas não como um verbete específico. Essas palavras estão nas definições dos verbetes, ou seja, são aquelas que explicam e mostram os sinônimos do verbete pesquisado.
Segundo o CDIC o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa registra 356.000 verbetes.
Agora, comentam os especialistas que o conjunto de palavras, isto é, o que inclui desde as flexões dos verbos em todos os tempos e modos. Mais os termos técnicos da língua e ainda todos sinônimos do principais vocábulos da língua, então a lista passaria das 600.000 mil palavras.

Análise sintática do período simples e composto

Nossa colega Renatinha nos perguntou: "Quero saber o q seria em linguagem fácil análise sintática do período simples e composto. Se possível com exemplos!"

Colega,
O período simples é aquele que contém apenas uma oração.
Sua estrutura básica é ter um sujeito e um predicado, ou ao menos um predicado já que existem orações sem sujeito.
Mas outros termos ainda podem estar ligados a essa oração. Por exemplo o adjunto adnominal, o predicativo, o aposto, o complemento nominal, o objeto direto, indireto, o adjunto adverbial e o agente da voz passiva.
No período composto estuda-se a combinação de orações que pode se dar por subordinação ou coordenação.
Nas subordinação as orações são ligadas uma a outra. Essa ligação é feita por meio das conhecidas conjunções. Fazendo existir uma subordinada que é dependente de uma principal.
Na coordenadas as orações são independentes entre sí, porém pode-se usar também as conjunções que nesse caso recebem o nome de orações coordenadas sindéticas.

Como exemplo de análise desses termos podemos usar as mesmas orações que você usou para fazer a sua pergunta.
Quando vc diz,
"Quero saber o que seria..."
Nessa frase temos duas orações em um período composto por subordinação.
A oração principal aí é a primeira. A que diz "quero saber"
e a segunda oração "o que seria análise morfológica..." é uma subordinada substantiva objetiva direta, pois atua como objeto direto do verbo da oração principal. Que nesse caso é o verbo saber.
Só lembrado, ainda, que não precisamos usar o artigo "o" antes do pronome interrogativo "que", pois esse já trás a idéia de interrogação. Assim ensinam as gramáticas.

Pelo que se pode observar a análise sintática dos períodos simples e compostos é um grande e importante capítulo da gramática. Por isso mesmo, não vai ser em apenas um post que conseguiremos aprender tudo sobre esse assunto.
A medida do possível iremos publicando novos textos sobre Análise sintática e sintaxe no geral aqui no blog.
Um abraço e até a próxima.
Novo: "Análise Morfossintática dos termos da oração"

domingo, 2 de novembro de 2008

Os decretos que aprovaram o acordo ortográfico de 1990

Segue abaixo os quatro principais decretos que aprovam e explicitam as novas regras de ortografia da Língua portuguesa.

DECRETO Nº 6.583, DE 29 DE SETEMBRO DE 2008.
Promulga o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990.

DECRETO Nº 6.584, DE 29 DE SETEMBRO DE 2008.
Promulga o Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Praia, em 17 de julho de 1998.

DECRETO Nº 6.585, DE 29 DE SETEMBRO DE 2008.
Dispõe sobre a execução do Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em São Tomé, em 25 de julho de 2004.

DECRETO Nº 6.586, DE 29 DE SETEMBRO DE 2008.
Dispõe sobre a implementação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
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